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ÁLBUNS DE FORMAÇÃO – LOUIS ARMSTRONG & THE GOOD BOOK

Discos| Views: 200

Um músico de jazz tocando música sacra? Nada mais natural.

Em 1958 o bom e velho Louis Armstrong fez um álbum apenas de “Spirituals” e música “Gospel” (a de verdade, que fique claro).


No ano de 1967 meu pai ganhou o disco “Louis And The Good Book” de minha tia, sua futura cunhada. Nessa época meus pais nem haviam se casado e eu era apenas uma ideia. Mas alguns anos mais tarde quando pude andar um pouco, esse era um dos meus discos preferidos que, a meu pedido, rodava com frequência na vitrola da família.

Acabei formando um pedaço do meu gosto musical ouvindo música religiosa americana!

Mas quão Louis era religioso?

No encarte da reedição de 2000 desse disco há uma citação de Louis que se dizia Batista, usava uma estrela de David no peito e era “amigo” do Papa.

Todas as afirmações viviam nele – batizado católico pela avó, frequentou igrejas batistas para ouvir a música e trabalhou para uma família judia russa vendendo carvão pelas ruas de Nova Orleans quando era criança. No fim da vida ele viria a reconhecer essa família – os Karnofsky – por criar nele o gosto pela música e ajudá-lo a comprar o seu primeiro trompete.

Ao reconhecer todas essas religiões e não seguir exatamente nenhuma, Armstrong mostrava quão espiritualizado ele poderia ser.

Armstrong nunca deixou de flertar com a música sacra – o próprio padrão de canto e contracanto tão característico na música negra, que se espalhou pelo Blues e depois pelo Rock vem do “chamado” do pregador e a “resposta” da congregação.

Não há como desvincular o jazz da tradição religiosa negra americana.

E, assim, andando entre a convicção da fé e um bocado de humor – ele chama o profeta Ezequiel de “Ezek, my man” e, por isso foi criticado pela comunidade – misturando o sagrado Gospel e o profano Blues ele chegou nesse álbum sublime no ano de 1958, com primorosos arranjos para banda e coral de Sy Oliver, maestro que trabalhou com figurões como Ella Fitzgerald e Duke Ellington.

Aqui tem um link para o álbum completo.

36 minutos de glória!

 

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