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O ADEUS AO SENHOR ROCK’N’ROLL

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Inquieto, provocador, caótico, criativo, talentoso, carismático.

A morte de Chuck Berry nesse sábado, encerra uma carreira tão prolífica quanto influenciadora de quase 70 anos.


No fim do ano passado, Chuck Berry anunciou que havia acabado de gravar um álbum para comemorar seus 90 anos, o primeiro em 38 anos. O disco ainda não foi saiu, mas podemos esperar um lançamento grandioso.

Mas o fato que mais me chama atenção é que o cara, aos 90 anos, ainda estava empunhando a guitarra e fazendo música.

Embora não seja possível dizer que ele inventou o rock’n’roll, porque muita gente estava na mesma pegada no início dos anos 50 – Bo Diddley dizia que ele era o criador do Rock – é inegável a influência do Sr. Charles Edward Anderson Berry, nascido Saint Louis em 1928.

Sua música eletrizou os rockeiros primordiais da British Invasion.

Keith Richards, que organizou um show e um filme com e sobre o grande ídolo americano, disse que foi ouvindo Chuck Berry que ele descobriu o que queria fazer da vida.

John Lennon afirmou que se o rock tivesse outro nome, seria Chuck Berry.

Pete Towshend, guitarrista do The Who, contou que seu estilo de tocar a guitarra girando o braço, conhecido como “the windmill” foi inspirado na performance de Chuck. Chuck diz não entender de onde Pete tirou essa ideia.

E continuou influenciando.

Angus Young do AC/DC copiou o “Duck Walk” ipisis literis de Chuck.

Bruce Springsteen foi músico de apoio de Chuck e contava que seus shows eram caóticos. Anarquista, Chuck Berry precisava ficar no comando e se divertia mudando andamentos e trocando tons no meio da músicas. Isso dava a impressão de seus show serem ruins. Por esse motivo, Keith Richards quis fazer um show “de qualidade” com Berry e penou. Imaginem, o pirata Keith passando apuro com seu ídolo! O cara não era fraco, não!!

Chuck Berry foi e continuará sendo influência para a música atual, para o cinema e para entendermos como foi a mudança social que o planeta experimentou desde a metade do século XX.

O crítico e autor sobre a cultura popular americana Chuck Klosterman, no livro “But What If We’re Wrong?”, onde faz perguntas sobre nossas certezas atuais e o que se preservará da nossa sociedade para o futuro, ele prevê que apenas uma música do Rock sobreviverá – Johnny B. Goode. E mais, ele afirma que: “A persona de Chuck Berry é a mais pura destilação do que entendemos sobre o Rock. As músicas que ele fez são essenciais, mas secundárias em relação ao que ele era e porque ele as fez. Ele é a ideia em si.” (https://www.nytimes.com/2016/05/29/magazine/which-rock-star-will-historians-of-the-future-remember.html)

Para não ficar só na conversa, aqui vai um set list de homenagens ao inigualável Mr. Rock’n’Roll, Chuck Berry.

CAROL – THE ROLLING STONES

Os Stones nunca esconderam a influência da música negra americana e, principalmente, o Rock de Chuck Berry. Carol foi gravada no primeiro álbum dos Stones.

ROCK AND ROLL MUSIC – THE BEATLES

Lennon era um tremendo fã e músicas como “Rock and Roll Music” e “Roll Over Beethoven” estavam sempre no repertório ao vivo dos Fab Four.

MAYBELLENE – SIMON AND GARFUNKEL

Em seu aclamado show no Central Park em 1981, a dupla americana dá uma palhinha de uma das primeiras músicas de Chuck, quase um “talking blues”.

LET IT ROCK – MOTÖRHEAD

Lemmy Kilmster (que Deus o tenha), o lendário líder do Motorhead, era fã incondicional. Ele, inclusive, não considerava o Motörhead uma banda de metal – “Somos uma banda de rock, só tocamos muito alto e muito rápido”. E ele não perdia a chance de tocar um clássico.

JOHNNY B. GOODE – MARTY MCFLY

Michal J. Fox imortalizou-se na pele do corajoso mas atrapalhado Marty McFly. A cena em que ele traz o Rock do futuro, é épica.

SCHOOL DAY – THE SIMPSONS

Para finalizar, a influência de Mr. Berry foi bater até nos desenhos animados. A música mais tocada do disco “The Simpsons Sing The Blues” foi de Chuck.

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