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METALLICA 1993: O PARQUE ANTÁRCTICA FERVEU!

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Chuva, cabanas feitas com as placas de madeira do gramado, alambrado destruído, invasão da pista, James com o braço enfaixado, Jason de cabelo raspado, eu com o peito na grade. Puta show!


Nos idos de 1986 eu comprei “Kill’Em All”, o primeiro álbum do Metallica, na lendária Woodstock Discos, ali no vale do Anhangabaú, e minha vida nunca mais foi a mesma.

Em 1989, eu, soldado conscrito, pude ouvir de dentro sala no quartel general da 2a região o Metallica no Ginásio do Ibirapuera passando o som para o show da turnê de “… And Justice For All”. Esta foi a primeira apresentação da banda no Brasil.

Em 1993 o Metallica, no topo do sucesso, estava de volta ao Brasil para divulgar seu mais famoso álbum, o que chamamos de “álbum preto”. Eu estava decidido a não perder o show e comecei a fazer uma campanha entre os amigos para angariar companhia.

Comprei meu ingresso para o primeiro dia de show – 01 de maio – e iria com minha irmã e alguns amigos dela. A memória aqui falha mas, por algum motivo, passei o ingresso para frente. Ela me cochichou há pouco que eu fiquei doente, mas não tenho certeza disso. Só sei que tive que convencer minha mãe a deixá-la ir sem o irmão mais velho num show de heavy metal. Também não lembro dos meus argumentos, mas devem ter sido convincentes porque ela foi!

À essa altura o bicho do show já tinha me picado e, foi com dor n’alma que vi o primeiro dia esgotar e, com elas as minhas chances de ver a banda de perto.

Mas eis que a mídia começa a noticiar amplamente uma segunda data de show! Imediatamente comprei o ingresso e consegui a companhia de dois amigos, que não só continuam amigos, como ainda compartilham o mesmo prazer dos perrengues de frequentar shows!

Achei essa pérola no youtube, o comercial da segunda data:

O dia do show chegou! Eu já tinha visto minha irmã voltar na noite anterior ensopada de chuva e de som, vibrando com o que tinha visto.

Chegamos ao extinto Palestra Itália, casa do Palmeiras, no início da tarde para conseguirmos ficar bem perto do palco. O chão estava coberto por grandes placas de madeira para preservar o gramado.

Muito rapidamente, o tempo nublado tornou-se uma chuva torrencial. E a galera, de forma muito prática, criativa e pouco segura, transformou as placas de madeira em jeitosas casinhas para se abrigarem da chuva.

Como moleque é moleque e não tem jeito, um monte de manés começou a criar estruturas de madeira mais grandiosas e a subir em cima delas! Aí a segurança do estádio interviu e de forma graciosa começou a derrubar as casas, não importando se tinha alguém em cima – ou embaixo – das pesadas placas.

O show de abertura foi do Viper, que na época fazia bonito com seus clipes na MTV. A banda foi muito recebida. Aliás, de forma surpreendente, o público que costuma rejeitar bandas de abertura, aplaudiu bastante a performance dos brazucas.

A noite chegou e o Metallica subiu ao palco, com seu indefectível “Ecstasy of Gold” e, na sequência botou todo mundo pra pular com “Enter Sandman”.

James Hetfield estava com uma luva de proteção em seu braço direito, ainda no processo de recuperação do insano show de Montreal em 1992, quando ele foi tostado pela pirotecnia do palco. Jason Newsted estava com a cabeça quase raspada, sem ostentar as madeixas que girava no melhor estilo headbanger quando tocava. O palco tinha aquele “Snakepit” reservado para jet set e vencedores de concursos da TV e rádios.

A partir daí em diante o show foi só crescendo. Os caras estavam em sua melhor forma. Eu fui abrindo espaço pela galera e, lá pelo meio do show, estava com o peito grudado na grade. Dava para ver o azul do olho do James!

Em algum momento, a turma do fundão, que estava na arquibancada, arrebentou o alambrado e pulou para dentro do gramado, aumentando o aperto e o clima de insanidade da apresentação. Olhei para trás e as placas de madeira do gramado haviam se tornado uma nova arquibancada no meio da pista com um monte de gente pulando em cima!

Entre as músicas, pedíamos aos gritos “One! One! One!”.

James retrucava – “Querem ir para casa?”.

“Não!” – era a resposta.

“Então esperem!”

E a espera foi compensadora. Depois de um show onde nenhum dos hits do “Black Álbum” e dos álbuns anteriores foi negligenciado, os quatro músicos voltaram para encerrar o show com a épica “One” e o cover de Queen “Stone Cold Crazy”.

Demorei um tempo enorme para sair do meio galera, sujo, fedido, molhado, mas de alma lavada.

Esse foi o setlist daquela memorável noite:

Ecstacy of Gold

Enter Sandman

Creeping Death

Harvester of Sorrow

Welcome Home (Sanitarium)

Sad But True

Of Wolf and Man

The Unforgiven

…And Justice for All Medley

Bass Solo (Jason)

Guitar Solo (Kirk)

Four Horsemen

For Whom the Bell Tolls

Fade to Black

Master of Puppets

Seek & Destroy

Battery

Nothing Else Matters

Wherever I May Roam

Last Caress (Cover Misfits)

One

Stone Cold Crazy (Cover Queen)


Essa aqui é uma filmagem do show do dia 01/05/1993. Vale mais pela lembrança que pela qualidade!

 

 


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