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UMA NOITE NO CAMBOJA

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Numa noite memorável em 1992, Jello Biafra foi espetacularmente acompanhado de Sepultura e Ratos de Porão.

Atenção: este post contém naftalina!


No início dos anos 90, o jornalista André Barcinski, na maior coragem e cara de pau da história, se embrenhou pelo submundo do rock americano e voltou de lá com muitas histórias, fotos, amizades… e um livro! “Barulho” era nome do livro e eu o guardo com carinho até hoje.

Uma das amizades que meu xará fez em terras americanas foi com Jello Biafra, que veio fazer um show para o lançamento do livro, no extinto e saudoso AeroAnta. E o ingresso era… o livro!

Na época eu trabalhava numa administradora de cartões de crédito na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Numa hora de almoço, peguei meu carrinho e corri para a sede da Editora Paulicéia na Rua Cayowaá e, de lá, voltei todo feliz com meu livro/ingresso na mão.

No dia do show lá fui eu tentando ostentar a minha melhor cara de feio/sujo/malvado para a dita casa de shows, com meu livrinho ali embaixo da jaqueta jeans cheia de buttons de bandas do coração, escolhidas a dedo para o evento.

Aparentemente a venda dos livros foi boa, ou ninguém estava conferindo a posse do livro na porta, ou os dois. Não sei dizer, mas o lugar estava lotado. E tinha muita gente conhecida passeando por lá. Lembro do Thunderbird passar no meio da galera tomando uns pescotapa… a turma ali não estava para brincadeira. Na pista, o pogo rolava solto e eu não estava com vontade de tomar botinada. Para quem não lembra do AeroAnta, uma das paredes do palco era feita de vidro. E foi do lado oposto ao palco, protegido pelo vidro, que estrategicamente me posicionei para ver o show.

E que show.

Aquela foi uma daquelas celebrações catárticas que só o puro espírito do rock’n’roll pode nos brindar. Uma festa anárquica, barulhenta, violenta e divertida demais!

No palco tínhamos Igor Cavalera destruindo a bateria no auge da sua forma. Andreas Kisser de um lado com sua energia e precisão. Do outro lado, um compenetrado Jabá e um extasiado João Gordo completavam a banda.

Jello Biafra entrou e entregou o que sabe fazer de melhor. Não parou um minuto, regeu a plateia e atirou-se mais de uma vez no meio da turba ensandecida. Eles fecharam a noite com uma versão arrasadora de Holiday in Cambodia e com Biafra desaparecendo no meio da multidão.

Show finalizado, alma lavada e ouvidos zumbindo, seria hora de ir embora. Mas aparentemente os carecas (lembram-se da rixa entre punks e carecas?) estavam do lado de fora aterrorizando o povo. A polícia foi chamada e eu fiquei por ali. Papo vai, papo vem, um segurança gente fina me colocou pra dentro da área reservada. Aí começou a segunda parte dessa memorável noite. Fiquei na frente de João Gordo, Igor e, principalmente de Jello. Não lembro se consegui atinar algo decente para falar com eles, mas todos foram bacanas para dar atenção a um moleque e deixar um autógrafo para a posteridade.

Falei que tinha naftalina nesse post, não é?

Mas uma das grandes vantagens de ficar vintage é ter visto muita coisa!

Alguém também esteve lá e gostaria de comentar?

Comentários

comentários

One Response to " UMA NOITE NO CAMBOJA "

  1. […] VEJAM AQUI A HISTÓRIA DE UMA NOITE NO CAMBOJA, COM JELLO BIAFRA E SEPULTURA (Aqui). […]